Genética pode ajudar no tratamento contra o cigarro

6 de junho de 2015
Saúde e Bem-Estar
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É possível que, em breve, as pessoas que desejam parar de fumar passem por uma avaliação genética que diga a qual tratamento cada uma delas vai responder melhor. Dois estudos conduzidos por pesquisadores do Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da USP) avançam nessa direção. Os cientistas mostraram que variações em dois genes estão associadas a uma maior resposta a duas drogas para tratar o tabagismo.
Dados do Ministério da Saúde divulgados no dia 28 de maio deste ano mostraram que o número de fumantes caiu cerca de 30% no país nos últimos nove anos – hoje, 10,8% dos brasileiros são fumantes, contra 15,6% em 2006, segundo a pesquisa Vigitel, que monitora fatores de risco para a saúde por telefone. Contudo, apenas de 4% a 7% dos fumantes conseguem parar de fumar sem medicamentos ou um tratamento formal, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.
As terapias incluem acompanhamento médico e psicológico, a prescrição de drogas como vareniclina e buproprina e a reposição de nicotina (com adesivo ou chicletes).
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LETRINHAS
Os pesquisadores do Incor avaliaram justamente a ligação entre genética e a resposta a essas duas drogas. Do primeiro estudo, que foi publicado em fevereiro deste ano no periódico científico “Frontiers in Genetics”, participaram 483 pacientes que haviam recebido aconselhamento psicológico e tratamento medicamentoso, dos quais 167 eram tratados com vareniclina.
Os cientistas avaliaram polimorfismos – ou seja, variações das letras C (citosina), G (guanina), T (timina) e A (adenina) – em dois genes. O resultado: aqueles pacientes que tinham as letras CT ou TT em uma determinada posição do gene CHRNA4 tinham 67% mais chance de responder à vareniclina.
A pesquisa científica avança na relação entre genética e tabagismo. Já se sabia, por exemplo, que fatores genéticos influenciam a dependência da nicotina – quem tem circuitos de prazer mais ativados e metabolização hepática mais rápida tem mais risco de se viciar no cigarro.
Fonte: Folha de S. Paulo

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