Barba, cabelo e bigode
05/08/2010
Um salão e uma barbearia dentro do Mercado
Barba, cabelo e bigode parecem serviços inusitados dentro de um pólo gastronômico? No Mercado Municipal de Curitiba, uma barbearia e um salão de beleza convivem em perfeita harmonia com banca de frutas e verduras, mercearias e adegas há cerca de 52 anos, desde a inauguração do Mercado.
A barbearia do seu Chiguenobu Hyoshida fica ao lado direito da porta de entrada do Mercado, pela avenida Sete de Setembro. A mobília simples é a mesma desde o início. Na cadeira do Hyoshida passaram personalidade políticas importantes do estado, como Ney Braga, Maurício Fruet, Bento Munhoz da Rocha e outros tantos.
Aos 73 anos, Hyoshida ainda resiste firme no ofício que aprendeu com o falecido pai Shiguedi, em Wenceslau Brás, interior do Paraná, onde trabalhou três anos antes de mudar para Curitiba e se instalar no Mercado Municipal. Ainda tem muitos fregueses cativos e casuais, como o estudante José Eduardo Bezerra que cortou pela primeira os cabelos com Hyoshida.
“Entrei no Mercado para comprar uma bota, almoçar quando estava de saída me deparei com a barbearia. Estou achando ótimo o corte”, disse Bezerra.
Depois de quase 57 anos de profissão, e o movimento intenso da barbearia, Hyoshida resolveu chamar um ajudante. José Jorge divide as tarefas na barbearia sem reclamar do movimento. “A gente se esforça para vencer a clientela que é grande”, conta.
Na outra ponta do Mercado, pela rua da Paz, fica o Luli cabeleireiro. O nome é apelido de seu Eloir Luvizotto, que também está no Mercado deste o começo, há cerca de 50 anos. Além de corte e barba, o salão tem serviço de coloração, e diferente do seu Hyoshida, a metade da clientela é de mulheres.
Atualmente o salão é um empreendimento familiar. Além de seu Luli, os filhos Sérgio e Eliane e a irmã Sueli Oliveira também trabalham no salão. “Aprendi com meu pai, mas também fiz cursos para aperfeiçoar as técnicas”, explica Sérgio Luvizotto que é cabeleireiro há 23 anos, sempre exerceu o ofício dentro do Mercado.
Há cinco anos, o engenheiro civil Carlos Roberto Pereira resolveu entrar no salão do seu Luli, e nunca mais cortou cabelo e fez a barba em outro lugar. “Aqui é ótimo. A gente faz compras, almoça, corta o cabelo e ainda dá tempo de tirar uma soneca na cadeira do salão enquanto a barba é feita”, conta.
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